Vida a bordo

No nosso bate-papo, o POM Da Silva, embarcado no pipe layer (PLSV) Esmeralda, da empresa Sapura,  conta para nós que os primeiros dias a bordo são de “pura familiarização”. Ele também nos adianta um pouco sobre o que precisaremos fazer quando estivermos a bordo, como, por exemplo: conhecer todo o navio, onde fica cada departamento (Passadiço, Praça de Máquinas, refeitório, sala de rádio, enfermaria, entre outros), saber onde fica seu ponto de encontro em caso de emergência, as rotas de fuga, saídas de emergência e claro, conhecer a sua área de trabalho, entender a nossa função, nossas atribuições e como atuamos.13646711_1076836845742276_2029916498_o

“Além disso, é preciso adaptar o seu organismo à vida a bordo. Algumas embarcações ‘sentem’ mais a ação do mar e balançam mais, outras, por outro lado, balançam menos. Mas não se preocupe… Se você passar mal durante uma viagem, existem remédios que ajudam você a contornar essa dificuldade e em pouco tempo seu organismo se acostuma, não mais dependendo de remédios. Acredite, falo de experiência própria.

Bem,  a minha rotina a bordo começa as 0500, quando acordo. Meu serviço é de 0600-1800. Normalmente, praticante pega 12 horas de serviço (serviço diário) e, por muitas vezes nesse mesmo intervalo, podendo variar de comando pra comando. No meu caso, de Chefe de Máquinas pra Chefe de Máquinas. Alguns optam por 0700-1900, outros por 0800-2000, mas sempre nessa faixa, o que de certa forma é muito bom pra um praticante, pois é nesse horário que se tem mais coisas para fazer e, consequentemente, aprender.

A função do praticante é aprender

dasilva
POM Da Silva comemora seu aniversário a bordo (Foto: POM Da Silva / Acervo Pessoal)

Como sou maquinista, algumas coisas estarão mais voltadas pro meu setor, mas tentarei ser bem abrangente. Na Praça de Máquinas, eu não tenho uma função (praticante não tem função prescrita a bordo, não é responsável por nada legalmente falando, mas é claro que o Chefe de Máquinas ou o Comandante vai lhe atribuir algumas tarefas). A função do praticante é aprender, mas fique tranquilo, pois não você não precisará ser tudo no primeiro mês. Então, a ideia é primeiro saber onde está cada equipamento. Feito isso, agora o próximo passo é saber o princípio de funcionamento deles. Muitos deles você vai ter estudado na escola. É importante também entender as tubulações, saber onde se encontram válvulas importantes, mas o principal mesmo é querer aprender.

O primeiro mês é voltado para a sua adaptação como um todo.

A ideia é acompanhar alguém que está fazendo alguma manobra para aprender na prática, mas caso você não encontre alguém disposto a ajudar, observe de longe e tenha sempre em mãos um bloco para anotar tudo que achar importante. Manual dos equipamentos é importante sim, mas não no primeiro mês, que é mais voltado para sua adaptação como um todo.

A tripulação

13646984_1076836975742263_248115991_oMeu contato com a tripulação restringe-se ao meu setor, mas às vezes é preciso ir até o passadiço assinar uma permissão de trabalho, ir até o setor de segurança, ir no almoxarifado solicitar uma troca de EPI, por exemplo. Meu contato fica mais na Praça de Máquinas e é assim também para o pessoal de náutica. Já a dificuldade da língua estrangeira eu não estou passando, tendo em vista que a tripulação é brasileira, apesar da empresa ser estrangeira. Mas pela experiência que estou vivendo, o grande desafio está em saber os termos específicos de cada área (por exemplo, saber como falar as ferramentas, os equipamentos, etc), pois a comunicação do dia a dia não tem grande dificuldade.

Rotina

As refeições acontecem de 3 em 3 horas sendo sempre um lanche entre as refeições principais. No meu caso os horários são: café (0530-0730); lanche (0900); almoço (1130-1330); lanche (1500);  janta (1730-1930); lanche (2100); ceia (2300-01h30); lanche (0300).

13621518_1076837469075547_5322124_o
POM Da Silva dentro da baleeira do navio em que está realizando a praticagem. (Foto: POM Da Silva / Acervo Pessoal)

Após as 1800, estou livre para fazer o que eu quiser. É profissionalismo. Ninguém vai te obrigar a ficar além do seu horário, mas acostume-se, pois enquanto praticante, você facilmente vai ultrapassar esse período. No horário de descanso, tem academia, salão de jogos, sala de TV e claro, tem seu quarto que nem sempre será individual. No meu caso é individual, mas é normal ter que dividir camarote com outro tripulante.

Com relação a roupa suja tem a lavanderia onde você pode lavar sua roupa e alguns navios têm serviço de hotelaria, que é meu caso. Então, eu ponho a roupa suja num saco específico e a noite a roupa está limpa e na porta do meu quarto. Eu não recomendo lavar roupas íntimas, neste caso lave no seu camarote.

No meu navio tem cabine telefônica para ligar pra quem desejar e Wi-Fi do navio que não é luxo. É básico e da apenas pra mandar mensagens em WhatsApp e Facebook.

Aproveitem o tempo de escola que passa muito rápido. Dediquem-se a aprender o máximo e terão mais facilidade a bordo e quando vierem, desconectem-se ao máximo das coisas aqui fora, vão para bordo em paz para que o foco seja só aprender e crescer na vida profissional.

Responsabilidades

Bem, tudo muda quando acaba período na escola. A nossa responsabilidade, obrigações e compromissos aumentam exponencialmente. Agora, todos estão te observando e sua avaliação será feita sem sua presença. Aproveitem o tempo de escola que passa muito rápido. Dediquem-se a aprender o máximo e terão mais facilidade a bordo e quando vierem, desconecte-se ao máximo das coisas aqui fora, vão para bordo em paz para que o foco seja só aprender e crescer na vida profissional.

Em breve nos encontraremos por aí.

Forte abraço!

POM Da Silva

Turma 2013-2015

COMPARTILHAR
Isabella Moura
Aluna do 2º ano de máquinas da EFOMM. Atua, com muita satisfação, como Coordenadora de projetos do Jornal Pelicano.