(Foto: Scherl Bilderdienst: / II. Weltkrieg 1939 - 1945)

Num contexto da virada da Segunda Guerra Mundial, quando as tropas soviéticas avançavam rumo a Berlin, milhões de civis alemães procuravam se esquivar do impiedoso exército vermelho. A fuga era em direção às zonas da Alemanha fora do domínio soviético. Essas fugas muitas vezes eram viáveis graças às viagens de navio. Nessa conjuntura, entra o navio Wilhelm Gustloff, e seu terrível naufrágio.

A história do transatlântico Wilhelm Gustloff

O navio foi construído nos estaleiros Blohm & Voss, em Hamburgo, para a KdF – Kraft durch Freude (Força através da Alegria), organização civil que promovia atividades culturais e recreativas para os operários alemães de todas as classes. Foi construído em quase dois anos, sendo entregue em 15 de março de 1938 e tendo Carl Lubbe como seu primeiro comandante. Deslocava 25.484 toneladas à velocidade de 15 nós e tinha capacidade para 1463 passageiros e 417 tripulantes.

Seu nome, Wilhelm Gustloff, foi escolhido por ser considerado como um mártir alemão, assassinado em 1936, na Suíça enquanto líder do NSDAP – Partido Nazista.

Até o início da guerra, o cruzeiro realizou mais de 50 viagens, chegando a realizar um salvamento. Seu diferencial à época era permitir viagens em classe única para todos. Com o início do conflito, foi transformado em navio hospital, colaborando na evacuação de feridos da Polônia e mais tarde da Dinamarca e Suécia, após a invasão pelas tropas alemãs.

wilhelm gustloff4Como navio hospital, serviria como casa de saúde flutuante para doentes e feridos e sua utilização era estritamente controlada e acompanhada de um regramento intencional específico de procedimentos. Em algumas zonas de navegação, era obrigatório serem pintados inteiramente de branco, ostentando uma faixa verde no costado em ambos os bordos. Além disso, eram proibidos de portar qualquer tipo de arma.

Após algumas viagens transportando feridos e enfermos na região do mar Báltico, se deslocou para Gotenhafen, na Polônia, para servir como navio quartel. E assim o fez até janeiro de 1945, quando foi novamente requisitado, desta vez como parte da maior operação naval de evacuação da história: o transporte e resgate de milhares de humanos que tinham a esperança de sobreviver.

O trágico naufrágio

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Ao deixar o porto de Gotenhafen, em 30 de janeiro de 1945, o tempo estava péssimo, com a força do vento em 7 nós, nevando, e a temperatura 10°C. abaixo de zero. Essas condições tornavam quaisquer chances de sobrevivência, uma vez na água, praticamente impossíveis.

Reconhecendo a situação militar insustentável, Adolf Hitler e Karl Dönitz elaboraram a Operaçao Hannibal, na qual o navio Wilhelm Gustloff, partindo de Gotenhafen, evacuaria os refugiados que se acumulavam na cidade.

O navio era comandado por Friederich Petersen e Wilhelm Zahn, que embarcaram mais de 9500 refugiados, além dos cerca de 1000 tripulantes.

Após deixar a Baía de Gdansk e contornar o cabo, ao cair da noite, do passadiço do Wilhelm, foi avistada uma pequena frota de caça-minas, que navegava em sentido contrário, sendo então dada a ordem para que fossem acesas as luzes de navegação. Como o capitão do submarino soviético S-13, Alexander Marineskowilhelm gustloff8, visualizou as luzes, viu naquele ataque a oportunidade de um “feito heroico”. Preparou então, às 2108, 4 torpedos, cada um com os dizeres “Para a Pátria”, “Para Stálin”, “Para o povo soviético” e “Para Leningrado”. Curiosamente, o tordedo “Para Stálin” perdeu seu rumo. Os torpedos atingiram a proa, a meia-nau, sob a área da piscina e a frente da praça de máquinas, rasgando o casco. O navio então inclinou-se para boreste e, em seguida, para bombordo, dificultando a arriação de parte dos botes salva-vidas.

Em menos de 70 minutos, o Wilhelm Gustloff foi tragado pelas águas geladas, e com ele, milhares de mortos. Felizmente, alguns navios ainda conseguiram contribuir no resgate, mas a maioria, algo entre 8500 e 9300 pessoas sucumbiram, tornando este, o maior naufrágio da história.

Confira algumas fotos do navio:

Contribuição: CLC Sidnei Esteves

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Felipe Dias
Oficial-Aluno do 3º ano do curso de Náutica da EFOMM e Presidente do Jornal Pelicano. Sou extremamente grato pela oportunidade de liderar uma equipe motivada e que busca, da maneira mais profissional possível, transmitir a imagem do aluno da EFOMM e trazer conteúdos relativos ao universo mercante. Bem-vindos a bordo!